Executivo diz que ideia é derrubar os viadutos e construir novos, com espaço suficiente para tráfego urbano e rodoviário

A faixa sob pontilhão da linha férrea, entre os bairros das Indústrias e Vista Alegre, é um dos principais gargalos do trânsito de Belo Horizonte. O alargamento da pista no trecho é uma das obras previstas pela Prefeitura de BH desde a municipalização do Anel Rodoviário, mas as intervenções ainda não saíram do papel. Para obter esclarecimentos sobre o tema, a Comissão de Mobilidade Urbana, Indústria, Comércio e Serviços realizou nesta quinta-feira (9/4) uma audiência pública, com a presença de representantes do governo municipal. Foi explicado que o planejamento inicial de derrubar os viadutos e construir novos esbarrou na dificuldade de executar os trabalhos sem interromper o trânsito de trens no local. No momento, estão sendo discutidas soluções alternativas, com levantamentos técnicos de custos e viabilidade. Braulio Lara (Novo), requerente da reunião junto a Irlan Melo (PL), colocou-se à disposição para auxiliar a dar mais celeridade ao processo, no que for de competência do Legislativo.
Municipalização do Anel
Irlan Melo enalteceu a importância da concessão da gestão do Anel Rodoviário ao Município e destacou o trabalho da Câmara Municipal de BH em prol do Anel. O vereador lembrou o processo de articulação para conseguir a instalação da área de escape, que precisou de uma autorização do governo federal à época, já que a jurisdição não cabia somente à cidade. Ele ressaltou, no entanto, a necessidade de “resolver o problema de maneira global”, o que passa necessariamente pelo alargamento das vias no pontilhão da linha férrea, segundo o parlamentar. Irlan também lamentou a ausência de representantes do Metrô BH e do governo estadual na audiência.
O diretor de Gestão do Anel Rodoviário da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, Fernando de Oliveira Pessoa, explicou que a transferência da concessão aconteceu quando o orçamento anual, de 2025, já estava definido. Por isso, foi necessário “um plano emergencial”, utilizando contratos já existentes “para fazer o que era possível”. O diretor esclareceu que, para este ano, já foi encaminhada uma série de licitações para serviços que pretendem “melhorar a cara no Anel”.
Pontilhão da linha férrea
Sobre a ampliação das faixas entre os bairros das Indústrias e Vista Alegre, Fernando esclareceu que o trecho contém três pontilhões, dois do metrô e um utilizado pela VLI, por onde passam os trens. A princípio, o Metrô BH propôs a derrubada de seus dois pontilhões e a construção de um novo, e fez um levantamento de custo de cerca de R$ 61 milhões. Essa estimativa, entretanto, não contempla todas as ações que serão necessárias, como custos com sinalização e com o reassentamento de famílias que devem ser desapropriadas para dar continuidade às novas pistas. O diretor acrescentou que, em uma nova avaliação, constatou-se que o ideal é ter marginais ao longo de todo o trecho, para separar o tráfego urbano do rodoviário e que foi feita uma nova proposta de estudo nesse sentido.
Em paralelo, há também um diálogo com a VLI para que se façam as mesmas intervenções no viaduto do trem. Porém, um desafio é não interromper a passagem diária dos trens para a realização da reforma, e também não comprometer o início das operações da linha dois do metrô. Uma das alternativas analisadas é construir um viaduto para desviar a rota. A proposta está em fase de avaliações técnicas sobre viabilidade, custo e prazo. Ao mesmo tempo, o convidado disse que a prefeitura está em conversa com o estado para negociação de um convênio, a fim de financiar todas essas obras.
Irlan Melo questionou sobre a possibilidade de a PBH utilizar recursos próprios para as reformas, mas nenhum dos presentes representando o Executivo tinham informações sobre isso. O vereador voltou a reiterar o esforço da Câmara para resolver a questão e trazer mais segurança.
“Se caso acontecer um acidente ali, eu quero já dizer que minha mão não está suja de sangue, porque nós estamos cobrando insistentemente. São várias e várias audiências, ofícios, solicitações e nada das coisas se resolverem”, declarou o vereador.
Solução integrada
Braulio Lara afirmou que a retenção no trânsito acontece em outros pontos da cidade, como no viaduto na Avenida Amazonas, e lembrou ainda que será necessário fazer a compatibilização das obras com o Move. A partir disso, o vereador questionou como as soluções pensadas agregam todos esses fatores.
Em resposta, Fernando Pessoa disse que a ideia é “uma solução casada”, que envolve intervenções na Praça São Vicente e nas avenidas Amazonas e Tereza Cristina. Ele admitiu que ainda não há nenhum esboço ou desenho do planejamento pronto. Hugo Melo, da Gerência de Manutenção e Conservação do Anel Rodoviário, completou dizendo que a junção de todos os projetos é um desafio, mas que será possível apresentar uma solução conjunta quando todos os setores tiverem elaborado seus respectivos planos.
Braulio Lara manifestou preocupação quanto a velocidade de todas essas articulações, já que o problema demanda “uma decisão rápida” e reafirmou seu compromisso em ajudar no que for possível para a celeridade do processo. “A gente precisa sair com essa deliberação o quanto antes. A nossa função aqui é ajudar vocês a pressionar para que isso se consolide”, afirmou o vereador.
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