“Comecei a morrer ao cuidar só dos outros.”

“Uma mulher forte, ativa, animada, sempre disposta e, acima de tudo, disponível. Estava sempre ali, para tudo e para todos, contribuindo, abraçando, cuidando, em uma caixa de invencibilidade que muitos viam como dom. Então, foi aí que percebi. Foi só quando parei tudo para olhar para mim que vi. Estava ali o tempo todo, mas eu só olhava para os outros. A essa altura, já estava grande e tomara parte de mim. Minha mente estava ficando frágil e não conseguia entender como eu, sempre tão esperta para me proteger de tanta coisa, me tornei vítima de algo que só pensava que acontecia com os outros. 

De repente, tudo passa por sua mente e você começa a perceber o quanto não aproveitou o que realmente importava. Que se dedicou tanto em ser boa, mas não olhou para si. Foi muito ruim quando descobri, uma sensação de impotência, de debilidade. Mas foi importante saber, pois isso me levou ao caminho que precisava. Uma mulher forte, ativa, animada, sempre disposta e, acima de tudo, disponível, mas com diagnóstico de falta de amor próprio. Quando decidi vencer esse problema, voltei a viver“. Essa é uma história fictícia, mas poderia ser a de qualquer mulher diagnosticada com câncer de mama.

De acordo com levantamento do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil somará cerca de 60 mil novos casos de câncer de mama em 2019. O número corresponde a 28% de todos os diagnósticos da doença registrados no país. Um dos principais mecanismos de controle e identificação do câncer de mama, para além do autoexame, é a mamografia. Segundo o Inca, todas as mulheres com mais de 40 anos devem fazer a checagem. Apesar de a campanha Outubro Rosa ganhar cada vez mais visibilidade, os índices de mulheres que nunca realizaram mamografia são alarmantes. A Pesquisa Nacional de Saúde 2013 (PNS), a mais recente disponível no Brasil, aponta que 3,8 milhões de mulheres de 50 a 69 anos nunca realizaram o exame.

Muitas mulheres ainda não se conscientizaram quanto à importância da prevenção e, infelizmente, este é um agravante no aumento dos índices de câncer de mama. 

Acredito que o principal passo para combatermos o problema é o conhecimento. Precisamos disseminar informações para que, cada vez mais, tenhamos uma sociedade consciente e responsável. Preconceito e falta de cuidado consigo são fatores graves, que precisam ser quebrados. Os índices revelam que as chances de cura d o câncer de mama são de 95%, em casos de diagnóstico precoce. 

É momento de nos preocuparmos com nossa saúde, bem-estar físico e mental. Separe tempo para exames periódicos, cuidados nutricionais e exercícios físicos. Além disso, não demore a pedir auxílio médico diante de qualquer sintoma. Sua vida vale muito! 

Coluna publicada no Jornal Hoje em Dia desta segunda (07). Clique para ler outros artigos.

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