Estudantes fazem campanha para arrecadar R$ 50 mil e ir à Tailândia, na Olimpíada de Matemática

Alunos de 16 escolas de Belo Horizonte foram selecionados para integrar a delegação do Brasil e participar, em agosto, da fase final da Olimpíada Internacional Matemática Sem Fronteiras, na Tailândia, no sudeste asiático.

Entre as instituições, oito são públicas e algumas delas se mobilizam para arrecadar fundos custear a viagem. Caso da Escola Estadual Dom Cabral, do bairro Betânia, na região Oeste, que faz campanha para captar R$ 50 mil para viabilizar a ida de quatro estudantes e uma professora à competição.

Competição

Disputada anualmente, a Olimpíada Internacional da Matemática é uma iniciativa da Academia de Strasbourg, órgão do Ministério de Educação da França, e, no Brasil, é organizada pela Rede do Programa de Olimpíadas do Conhecimento (Rede POC). Podem participar crianças e adolescentes dos ensinos fundamental e médio. 

Conforme a professora da disciplina na E.E. Dom Cabral, Francielle Linhares, em abril, alunos de toda a escola foram divididos em pequenos grupos para realizar a primeira fase da competição. “Eram cinco pessoas em cada grupo e eles realizaram uma prova com questões descritivas”. 

O bom desempenho classificou a escola, no entanto, para prosseguir, é preciso que a equipe acompanhada da professora responsável vá à Tailândia, entre os dias 16 e 20 do próximo mês, quando os alunos devem realizar provas individuais. “Os competidores precisam ter conhecimento em matemática e cumprir outras exigências, como saber falar inglês. Selecionamos uma menina e três meninos por esse esse critério”, explica a educadora. Eles têm 16 anos e cursam o 2º ou 3º ano do ensino médio.

A diretora da instituição, Luciene Verônica da Silva, pondera que, apesar de a conquista ser uma alegria para a instituição, é frustrante a escola não ter verba para que os adolescentes participem da etapa final. “É muito gratificante saber que na educação pública temos meninos tão competentes, mas os custos são altos e podemos não conseguir participar da etapa na Tailândia”. 

Campanha

Os gastos com documentação, hospedagem, alimentação e passagens somam R$ 10 mil para cada membro da escola, segundo Luciene. “O valor é alto, então, com o nosso apoio, os alunos recorreram a uma campanha”. Para levantar a quantia, eles pedem doações de empresas e da comunidade, por meio das redes sociais.

Nenhum valor foi arrecadado até o momento, mas, apesar da dificuldade, a diretora garante que a escola irá se preparar para futuros eventos. “A participação em atividades extraclasse é um incentivo para o desenvolvimento dos alunos, por isso pretendemos nos organizar para as competições dos próximos anos”. 

Com a seleção de três escolas da rede estadual, a Secretaria Estadual de Educação (SEE) anunciou, em nota, que “todas as ações com o intuito de proporcionar novas experiências para os estudantes são importantes para despertar um novo olhar sob o processo de aprendizagem”. Porém, como não há nenhum tipo de parceria ou convênio com os organizadores, não é responsável pelas premiações e custos adversos. 

A pasta também foi questionada sobre a possibilidade de apoiar grupos escolares, visto que, quatro escolas da rede foram classificadas. Porém, não retornaram.  

Aos interessados em colaborar com a E.E. Dom Cabral, basta ir à instituição que fica na rua Felicíssimo, nº 153, no bairro Betânia. O telefone para mais informações é (31) 3383-2700.

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